Blog da Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula da Ordem Franciscana Secular - Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Formar a partir de conceitos ou da relidade?
Frei Dorvalino Fassini, OFM
Em sua Exortação apostólica Evangelii Gaudium (EG 231-233), o papa Francisco, ao falar da construção de uma sociedade justa, fraterna e pacífica proclama que, apesar de necessárias e importantes, as ideias sempre devem dar a primazia à realidade ou melhor: aquelas devem estar sempre a serviço dessa. Do contrário constroem-se casas sobre a areia, vidas e sociedades repletas de idealismos e nominalismos ineficazes porque vazios, ocos, sem nada, sem nenhum conteúdo por dentro, puro “blá-blá-blá”.
Esse princípio pode e deve ser aplicado também ao trabalho de nossa Formação religiosa. Movidos por uma cultura que há séculos primeireia os conceitos e as ideias não percebemos mais que nossa formação está cada vez mais vazia porque não parte da dinâmica do encontro ou confronto com a realidade de todas as realidades de nossa existência de consagrados franciscanos: a gratuidade do toque do encontro, da afeição pelo modo de ser ou espírito de São Francisco.
Na raiz desse princípio está toda a pedagogia de Deus formar, organizar e conduzir seu Povo tanto no Antigo como no Novo Testamento. Nosso Deus não é uma fantasia, uma ideia, mas uma Pessoa, um Deus “real” cuja Palavra se encarna em cada pessoa, criatura ou acontecimento. Daí a insistência do Papa: Não pôr em prática, não levar à realidade a Palavra é construir sobre a areia, permanecer na pura ideia e degenerar em intimismos e gnosticismos que não dão fruto, que esterilizam o seu dinamismo (233). Ou ainda, como diz São Tiago, uma fé sem obras não existe, está morta.
Quem mostra e descreve muito bem como, na escola franciscana, se faz a formação a partir do encontro e confronto com a realidade, são os Evangelhos e as Fontes Franciscanas. Aí não há nada de idéias ou conceitos. É tudo, do começo ao fim, debate, corpo a corpo, com atitudes, modos de ser, gestos, pensamentos, graças e virtudes vindos do Evangelho e da inspiração originária que moveu Francisco e toda aquela plêiade de companheiros e companheiras.
Poder-se-ia dizer, então, que a formação, para nós franciscanos, é a arte de confrontar-se não apenas com as ideias, as palavras, os conceitos, as doutrinas (catolicismo, franciscanismo), mas, acima de tudo, com as “coisas” do “chamado e do seguimento de Cristo pobre e crucificado” pulsantes em todo e qualquer leproso de hoje.
Ouçamos, pois essa contundente e admirável conclusão do Papa: Não me cansarei de repetir estas palavras de Bento XVI que nos levam ao centro do Evangelho: «Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo». Somente graças a este encontro – ou reencontro – com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da auto-referencialidade (EG 7-8).
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
A Via da Beleza na Evangelização
Frei Dorvalino Fassini, OFM
A cada página da Evangelii Gaudium somos surpreendidos com belas e animadoras exortações como essa referente ao uso da “via da beleza” na evangelização, principalmente na catequese. “Anunciar Cristo, diz o Papa, significa que crer Nele e segui-Lo não é apenas verdadeiro e justo, mas também belo... [...]. Não se trata de fomentar um relativismo estético [...] mas de recuperar a estima da beleza para poder chegar ao coração do homem e fazer resplandecer nele a verdade e a bondade do Ressuscitado” (EG 17).
Ao evocar o cuidado da beleza como elemento constitutivo da catequese e da evangelização o Papa está nos remetendo simplesmente à nossa origem. Pois, no dizer de Santo Agostinho, Deus nosso Pai é Beleza: “Tarde te conheci, tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!” (Santo Agostinho).
Na verdade, as criaturas todas, entre elas especialmente o homem, são uma superabundância gratuita da Beleza originária como se pode ver na narrativa da criação. A cada criatura que surgia do nada, Deus parava, contemplava e exclamava: “Ó, como és bela!” E quando surge o homem, então, comovido, exclama: “Ó, és muito belo!” O grego expressa esse sentimento com a palavra kalós que significa realmente “belo”, mas que por extensão pode significar também “bom” como a maioria dos tradutores, de fato o fazem.
E se é belo todo o homem, de que beleza não será o Filho do homem por excelência, Aquele que foi prometido e enviado ao mundo para ser o novo Adão, Aquele do qual o salmista já proclamava: “és o mais belo dos homens, de teus lábios flui a graça; por isso Deus te abençoou para sempre” (Sl 45,3)!
Quem se extasiava até o fundo da alma diante desse divino espetáculo – a encarnação - era São Francisco. Depois de ter recebido os estigmas de Cristo no monte Alverne, como um enamorado apaixonado, vivia exclamando: “Tu és Beleza! [...] Tu és Beleza!” E comenta São Boaventura: “contemplava nas coisas belas o Belíssimo e, seguindo o rastro impresso nas criaturas, buscava por todo o lado o Dileto” (LM IX,1, 7)
De fato, Jesus encanta, atrai e cativa não apenas pelo conteúdo de seus atos, de sua fala, nem apenas pela sua bondade, pela simplicidade de suas palavras, pela clareza de sua linguagem e de suas parábolas, pela pureza de suas atitudes e gestos, mas acima de tudo pela formosura, valência, estimabilidade, preciosidade e transparência de sua pessoa divina e humana. Por isso, como diz Santa Clara, Jesus é o verdadeiro espelho do homem.
Se foi pela beleza que evangelizou nosso Mestre outro não pode ser o caminho de nossa evangelização. Primeiramente precisamos zelar pela beleza de nossa identidade, de nossa alma cristã, de filhos do homem e filhos de Deus; uma beleza que deve transparecer no cuidado pelo nosso modo simples e correto de falar bem como na busca de atitudes e gestos bem medidos em relação a Deus e ao próximo; pelo uso de vestes simples, limpas e bem confeccionadas etc.
Reportando-nos ainda ao momento da criação devemos notar uma grande diferença entre o homem e as demais criaturas. Todas são belas e chamadas a serem belas, mas só o homem é chamado, também, a ser artífice, isto é, fazedor de beleza. Com, efeito, depois de haver sido criado à imagem e semelhança de seu Criador, o homem é chamado a ser o guardião, o cuidador, o artífice de si mesmo e de todo aquele magnífico e admirável universo que o circunda. A primeira vocação do homem, portanto, não é propriamente ser bom, mas artista, isto é, fazedor do belo. E quem faz o belo proclama sua origem: o Belo de todos os belos.
Infelizmente, nas últimas décadas, a fim de libertar a pastoral e a evangelização, principalmente a liturgia, de um esteticismo vazio e exibicionista, muitas vezes, jogaram-se para a lixeira do menosprezo quase todas as iniciativas e disciplinas referentes ao cultivo do belo. Tudo, desde o cultivo de uma boa linguagem, de uma pronúncia correta, de cantos bem afinados, gestos e atitudes bem comedidos, ambientes, arranjos, imagens, pinturas e vestes bem confeccionados, limpos e bem arrumados, tudo, enfim, passou a ser visto e tratado como ostentação luxuosa e desnecessária.
Um cristão consciente dessa sua nobre vocação e missão procurará libertar-se aos poucos desse relaxamento grosseiro que tem, muitas vezes, como origem uma preguiça mental, a ânsia de uma popularidade fácil, bem como a busca de uma glória efêmera e interesseira. Saberá que a beleza eleva, arrasta e comove muito mais que qualquer outra virtude, mais, até mesmo, que a caridade.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Duas Jufristas fazem sua Promessa na OFS
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| Ariana e Jamile |
Foi mais um importante passo na caminhada de seguimento dos passos de Jesus, observando os Evangelhos como São Francisco e Santa Clara de Assis. Esta jornada iniciou na Jufra da cidade de Santa Maria e tem sua continuidade aqui em Porto Alegre onde as duas ajudam a implantar a JUventude FRAnciscana.
A Celebração teve como lema :"É isso que eu quero, é isso que eu procuro, é isso que eu desejo fazer de todo coração!" e foi realizada na Paróquia São Francisco de Assis, com a participação de familiares e irmãos da OFM, OFMCap, FFB/RS, Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, Irmãs Franciscanas Bernardinas e OFS.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
João XXIII, o Santo Franciscano da Docilidade ao Espírito
Domingo, 27 de
abril, numa celebração simples e ao mesmo tempo inédita, repleta de unção
evangélica e emoções, presidida pelo papa Francisco, tivemos a feliz graça de
ver a canonização de dois papas ao mesmo tempo: João Paulo II (1978-2005) e o
franciscano João XXIII, ‘il papa buono´
(1958-1963).
Poucos nos damos conta ou sabemos
que João XXIII foi franciscano. Isso, talvez ou certamente, se deva ao fato de
ter sido franciscano da Ordem Franciscana Secular. Fosse membro da primeira
Ordem, certamente, estaríamos celebrando-o com toda divulgação possível e,
provavelmente, também, com certo ufanismo mundano. Como ou porque é tão difícil
sair dessa discriminação? A razão nos parece muito simples: porque ainda não
conseguimos compreender e aceitar que todos os franciscanos, independentemente
da Ordem, somos portadores de um único e mesmo carisma, de uma única e mesma
dignidade e responsabilidade evangélica.
Mas, a canonização do papa do
Concílio aumenta nossa alegria, felicidade e responsabilidade, também e
principalmente, pelo título com o qual foi canonizado: o santo da “docilidade ao
Espírito”.
Essa sua característica é devida,
principalmente, ao fato de, em seu tempo, que ainda é o nosso, ter captado os
sinais da necessidade de um novo Concílio ecumênico. Um Concílio que levasse a
Igreja, os católicos a deixar de viver de costas para a humanidade e se
encarnassem no mundo de hoje através do “retorno às origens do Evangelho e de Jesus
Cristo”.
Ora, segundo as Legendas
franciscanas, foi justamente o intenso cultivo dessa mesma docilidade ao
Espírito que levava Francisco a perceber e captar as inúmeras inspirações,
visitas e apelos do Senhor, a começar pela amargura que sentia diante dos
leprosos, pela compaixão que os pobres e mendigos de rua despertavam no coração
dele. Foi aquela virtude que suscitou o início de um dos maiores e mais belos
movimentos “revolucionários”, de conversão que a Igreja já conheceu: o
Franciscanismo. Uma conversão ou penitência que tinha como centro, justamente,
como a Igreja conciliar de hoje, a busca do encontro com o Jesus Cristo do
Evangelho, dos pobres, da simplicidade, da alegria e da fraternidade universal.
Um movimento que atingiu e abrangeu pessoas e fiéis de todos os níveis e
ambientes, desde papas, bispos e sacerdotes até leigos mais humildes, desde
intelectuais das universidades até artistas e simples trabalhadores do campo e
profissionais liberais.
São Francisco considerava de
tamanha importância o cultivo dessa docilidade que chegou a estabelecê-la como
um dos artigos básicos de sua Regra. Por isso, exortava e admoestava seus irmãos
a que jamais se deixassem levar pelo “mundanismo espiritual” (papa Francisco) da soberba, vanglória, inveja, avareza,
cuidado e solicitude deste século, detração e murmuração, mas que estivessem
sempre atentos, antes de tudo, ao Espírito
do Senhor e seu santo modo de operar (RB 10,8-9).
Que São João XXIII, nesta
angustiante e preciosa crise, nesta fecunda e desafiadora mudança de época, nos
ajude a sermos dóceis e atentos ao Espírito! Amém!
Frei Dorvalino Fassini,
ofm
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Nota: A Festa de São João XXIII é
11 de outubro
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Nota: A Festa de São João XXIII é
11 de outubro
domingo, 4 de maio de 2014
Nossa 2ª visita fraternopastoral
Paz e bem!
Ontem, 3 de maio, recebemos nossa segunda visita fraternopastoral, Frei Eugênio, OFM, encarregou-se da parte Pastoral e a Maria Célia do âmbito Fraterno.
Ontem, 3 de maio, recebemos nossa segunda visita fraternopastoral, Frei Eugênio, OFM, encarregou-se da parte Pastoral e a Maria Célia do âmbito Fraterno.
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