segunda-feira, 25 de junho de 2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A propósito de Crucifixos e Santo Antônio

A decisão do TJ do RS, ordenando a retirada dos Crucifixos dos prédios da Justiça do estado, suscitou inúmeras, e por vezes acaloradas, discussões e pronunciamentos a favor e contra. 

Entre os últimos encontramos o magistral artigo de Paulo Brossard, segundo o qual a presença do Crucifixo nos tribunais de justiça é para recordar aos juízes o grande Injustiçado e que o Crucifixo está nos tribunais não porque Jesus fosse uma divindade, mas porque foi vítima da maior das falsidades de justiça pervertida. E mais ainda, apoiando-se em Rui Barbosa, escreve o nobre jurista que o Crucifixo está aí para recordar que Pilatos ficou na história como o protótipo do juiz covarde. É deste modo que, há mais de cem anos, Rui Barbosa concluiu seu artigo: “como quer te chames, prevaricação judiciária, não escaparás ao ferrete de Pilatos! O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde”. Essas as considerações transparentes e cristalinas de um magistrado da mais alta competência do Brasil.

Nós franciscanos, porém, poderíamos argumentar de modo bem mais positivo e evangélico acerca desse assunto. Pois, a exemplo do Presépio, da Eucaristia, os crucifixos sempre inspiraram um profundo amor, respeito e veneração pelo humano, principalmente pelo homem desvalido, pobre e fragilizado.

Olhando para um Crucifixo não há como não envolver-nos em pensamentos e sentimentos de profunda estima pela dignidade da pessoa humana nele representada. Assim, todos, crentes ou não, podemos encontrar nele um significado que enriquece a vida do homem. Ou seja, olhar para um Crucifixo ou deixar-se olhar por ele não ofende, não prejudica ninguém. Só faz bem.

A esse respeito vale a pena ouvir nosso Doutor evangélico, Santo Antônio que, para explicar o papel do Crucifixo, serve-se da analogia do espelho. Todos nós temos em nosso quarto ou sala o espelho diante do qual nos miramos para ver se estamos devida, digna e corretamente vestidos e arrumados, enfim, se estamos bem a jeito com nosso estado ou gênero de vida. Pois, então, proclama o denodado Doutor evangélico, Cristo, que é a tua vida, está suspenso diante de ti para que tu te contemples na cruz como num espelho. Aí poderás conhecer quão mortais são tuas feridas, que nenhuma medicina tem poder de sarar, senão aquela que brota do sangue do Filho de Deus. Se olhares bem, poderás dar-te conta de quão grande são tua dignidade e teu valor... Em nenhum outro lugar o homem pode melhor dar-se conta do quanto ele vale do que olhando-se no espelho da Cruz.

Comentando essa passagem diz nosso Papa, Bento XVI: Meditando essas palavras podemos compreender melhor a importância da imagem do Crucifixo para a nossa cultura, para o nosso humanismo nascido da fé cristã. Justamente olhando para o Crucifixo vemos, como diz Santo Antônio, quão grande é a dignidade humana e o valor do homem. Em nenhum outro ponto se pode compreender quanto valha o homem para que Deus mesmo nos faça tão importantes, nos veja tão importantes de sermos por Ele dignos de seu sofrimento. Assim, toda a dignidade humana aparece no espelho do Crucifixo e o olhar para Ele será sempre fonte de reconhecimento da dignidade humana. (Benedetto XVI e San Francesco, Libreria Editrice Vaticana, p. 210).

Finalmente, pode-se e deve-se, ainda, acrescentar que nesse espelho estamos frente a frente, cara a cara, olho no olho, com a mais alta, primeira e última vocação do homem: o máximo de empenho, até a morte e morte de Cruz, para entrar em comungação com nossa origem, representada pela haste vertical e em comungação com os outros homens, nossos irmãos, representada pela haste horizontal.

Por tudo e por todos, portanto, é uma pena que se tenha decretado sua retirada de um tão significativo, nobre e universal símbolo de todos os homens de todos os tempos. Mais uma vez os homens não sabem o que fazem!

Em louvor de Cristo Crucificado. Amém.

Frei Dorvalino Fassini, OFM

Ilustração: Tabernacle and painting of Saint Anthony of Padova in Church Holy Egyd at Tigring, Moosburg, Klagenfurt-Land, Carinthia, Austria [picture] / Johann Jaritz. November 1st, 2010. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moosburg_Tigring_Pfarrkirche_Heiliger_Egyd_Antoniuskapelle_Altar_01112010_35.jpg acesso em 21 jun. 2012.



domingo, 20 de maio de 2012

Uma mente franciscana na Cátedra de Pedro

Frei Dorvalino Fassini, OFM

Quando, encerrado o último conclave, houve o anúncio de que o Cardeal Ratzinger, então Prefeito da Sagrada Congregação da Fé, havia sido eleito Papa, pensei com meus botões: ”Ich! Agora, em vez de um Papa jovial, comunicativo e aberto teremos que nos contentar com um Papa sério, sisudo, durão e fechado e, por conseqüência, pouco franciscano. A impressão parecia confirmar-se porque, ao contrário dos últimos, desde o franciscano terciário João XXIII, o atual papa não fez nenhuma visita ou peregrinação a Assis a fim de buscar inspiração e implorar bênção e proteção do evangélico e apostólico São Francisco.

A primeira impressão, porém, dessa vez, não foi a que ficou. Aos poucos, apesar de seus cãs envelhecidos, foi aparecendo a figura de um papa simples, jovial, reflexivo e de uma alegria franciscana, comedida e interior, expressa quase sempre por uma face transparente e por um sorriso amável, humilde e, até certo ponto, tímido, enfim, um Papa de espírito franciscano.

Espírito que veio surpreender-nos positivamente com a publicação da “Exortação apostólica Verbum Domini sobre a Palavra de Deus na Vida e na missão da Igreja”. De fato, nunca houve nos últimos anos um documento eclesial tão imbuído da mística do Poverello como esse. Como Francisco também nosso Papa na Palavra de Deus vê não apenas palavras ou um mero meio de comunicação, mas, antes e acima de tudo, vê e contempla uma Pessoa, um Deus que, depois de ter inventado mil e uma forma de comungar da vida do homem, não sabendo mais que iniciativa tomar, se abrevia, se apequena (VD 11-12) todo e inteiramente, como criança num presépio e como um condenado à Cruz. E, ao mencionar são Boaventura, com a famosa citação de que cada criatura é Palavra de Deus porque proclama Deus, ele põe nosso Doutor seráfico em pé de igualdade com a grande tradição dos Padres gregos (VD 8). Finalmente, ao falar da interpretação da Sagrada Escritura pelos Santos, isto é, por aquelas pessoas que se deixaram plasmar pela Palavra de Deus, daqueles cuja vida se tornou uma viva lectio divina (VD 48), abre grandes encômios a São Francisco e Santa Clara. De fato, em nosso primeiro contato com esse documento, logo que veio à luz, ficamos surpresos porque se o espírito jesuíta e tomista, um tanto pesado e rigoroso, perpassava a maioria dos documentos papais das últimas décadas e mesmo do Vaticano II, agora estamos diante de um documento impregnado da leveza e graciosidade do espírito franciscano em geral e bonaventurano especificamente.

Toda essa admiração e ênfase pelo espírito originário franciscano do papa atual vem confirmar-se agora com a vinda à luz de Benedetto XVI e San Francesco. Nesse livro, de 300 páginas, o conventual frei Gianfranco Grieco - jornalista renomado e de larga experiência no dia-a-dia tanto de João Paulo II como do Papa atual -, recolheu todos os seus pronunciamentos em referência não apenas a São Francisco, mas também à Espiritualidade franciscana em geral, principalmente de São Boaventura.

Ouçamos o que diz, já de saída: Bento XVI é um Papa inteiramente franciscano. ”Temos todos uma alma um pouco franciscana” disse ele próprio comentando, no decorrer da audiência geral de 12 de outubro de 2005, o salmo 121 e a saudação franciscana “Paz e Bem!” (o.c. p. 1).

Mas, a surpresa mais grata, principalmente para nós franciscanos, aparece mais adiante quando o próprio Bento XVI afirma que a semeadura do espírito franciscano em sua mente começou a dar-se bem cedo quando começava a ensaiar os primeiros passos em sua longa e permanente investigação filosófica e teológica. É o que revela em sua preleção feita aos alunos do Pontifício Seminário Romano Maior: “No começo, nos primeiros dois anos de Filosofia, haviam-me fascinado, desde o primeiro momento, a figura de Santo Agostinho e depois também a corrente agostiniana na Idade Média: São Boaventura, os grandes franciscanos, a figura de São Francisco de Assis”.

E, logo em seguida o autor registra mais esse testemunho: “Hoje (diz o Papa na audiência geral de 03 de 03 de 2010), quero falar-vos de São Boaventura de Bagnorégio. Confesso-lhes que, ao propor-vos esse tema sinto certa nostalgia, porque me vem à mente as pesquisas que, quando jovem estudioso, realizei justamente sobre esse autor, a mim particularmente caro. Não foi pequena a incidência de sua sabedoria sobre minha formação. Com muita alegria, há poucos meses volvi-me em peregrinação à sua terra natal, Bagnorégio, uma cidadezinha italiana, no Lázio, e que guardo com muita veneração na memória (idem p. 14).

E no domingo, 17 de junho, em Assis, na Catedral de São Rufino, volta ao seu relacionamento privilegiado com São Francisco: “Já como estudante, - revela – quando me preparava para uma Cátedra, estudei São Boaventura e, como conseqüência, também São Francisco, de modo que peregrinei a Assis, bem antes de vir para cá fisicamente”. (idem p. 15).

Finalmente, testemunha frei Gianfranco: O grito tormentoso e humilde do “Quaerere Deum”(“A Busca de Deus”) parisiense, aflorado da alma, no decurso do encontro com os representantes da Cultura no “Colégio dos Bernardinos”, sempre acompanha os passos do Papa Bento. Apraz-lhe retornar e repropor seguidamente esta necessidade interior do homem, jamais totalmente apagada: ”O caminho para Deus é Deus mesmo, o Qual se faz próximo de nós em Jesus Cristo , e assim a Teologia grande e misteriosa de São Francisco se torna muito concreta, real...” E, depois de mencionar o Areopagita Dionísio e o grande teólogo franciscano São Boaventura, que soube interpretar e pôr em formas conceituais essa herança tão simples e profunda, isto é, a teologia mística do nosso Seráfico Pai, continua o Papa: “O Poverello, com Dionísio nos diz, enfim, que o Amor vê bem mais que a razão. Onde houver a luz do amor não penetrarão jamais as trevas da razão; o amor vê, o amor é olho. E a experiência nos dá muito mais que a reflexão. O que vem a ser essa experiência Boaventura a vê em São Francisco. Trata-se da experiência de um caminhar muito humilde, muito realista, dia após dia: um caminhar com Cristo, assumindo sua Cruz. Nessa pobreza e nessa humildade, humildade que se vive também na eclesialidade, é a experiência de Deus que é bem mais alta do que aquela que se recolhe através da reflexão: naquela tocamos realmente o coração de Deus”(idem).

E, conclui o frade conventual: Para colher em profundidade a relação teológica, cultural e espiritual entre o teólogo Ratzinger, São Francisco e o Doutor seráfico, basta ler o volume “San Bonaventura. La teologia della storia” de autoria do próprio Papa (idem). Através dessa obra pode-se perceber quanto a teologia e a mística franciscano-bonaventurana plasmaram a alma do atual Papa. 

Encerramos com uma questão: O que representa ou significa para nós franciscanos ter na cátedra de Pedro um Papa que, tanto em seus documentos como em sua conduta de Pastor supremo da Igreja e da humanidade, se inspira segundo a luz do espírito e o fervor do coração de nosso Seráfico Pai?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Congresso Clariano do Rio Grande do Sul

Clara de Assis e de Hoje reconhece que a sua vocação é, antes de tudo, uma especial graça de Deus, pois “quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida” (TestC 2s).
 
Com alegria, em nome da ESTEF e da Família Franciscana do Rio Grande do Sul, convidamos a cada irmã e cada irmão a participar do Congresso Clariano do RS, que se realizará nos dias 20 e 21 de setembro de 2012, no Salão Paroquial da Igreja Santo Antônio do Partenon, em Porto Alegre, com início às 9h do dia 20 e término às 18h do dia 21. Para quem precisar de hospedagem, haverá espaço no Convento São Lourenço de Brindisi (Capuchinhos), em frente à Paróquia. As refeições poderão ser feitas no Convento dos Capuchinhos, ou no Ginásio Geraldo Santana.
Temas que serão refletidos:
1.       Clara e seu contexto Histórico – Frei José Bernardi
2.       Clara: Biografia e Cartas – Ir. Mônica de Azevedo
3.       Contemplação e Espiritualidade em Clara – Frei José Carlos Pedroso
Solicitamos que cada Irmão e Irmã nos ajude a divulgar este evento e que a ficha de inscrição seja devolvida até o dia 31 de agosto de 2012, juntamente com o comprovante de pagamento da taxa de inscrição. 
- Via Correio: Ir. Rosemaria Jaschke
  Rua Monroe, 133. Bairro Santa Teresa
  90.810-220 – Porto Alegre - RS
- Por e-mail: rosejmaria@gmail.com
Tel.: 51-3232-4819 ou cel.51-9708.0599
Valor da Inscrição: R$ 40,00
Hospedagem (valor aproximado da diária, com todas as refeições incluídas): R$ 80,00 (quarto coletivo) e R$ 90,00 (quarto individual). Obs. – Esse valor poderá sofrer alteração para mais.
Somente almoço: R$ 12,00 (valor aproximado, podendo sofrer alteração para mais)
O pagamento da inscrição poderá ser feita via depósito bancário

Conta Poupança CEF: 0439.013 – 6179 – 1, para quem faz transferência de CEF para CEF.

Conta Poupança CEF: 0439 – 6179 – 1, para quem transfere de outro Banco para a CEF

Depósito em nome de   EDUARDO PAZINATTO –  CIC 627.861- 15
                               e   ROSEMARIA JASCHKE – CIC 186.463 -15

Desde já, sintam-se fraternalmente acolhido(a)s,
                                                
 Ir. Rosemaria Jaschke                                            Frei Aldir Crócolli, OFMcap
 Coordenadora da FFB/RS                                     Diretor da ESTEF

sábado, 31 de março de 2012

Agenda 2012

Abril

Dia 01, Domingo
  • 09h Estudos para iniciados, postulantes e admitidos
Dia 14, Sábado
  • 15h Encontro de novos vocacionados
Do dia 22 a 27
  • Retiro em Daltro Filho

Maio


Dia 04
  • Primeira Sextafeira
Dia 05, Sábado

  • 14h Encontro
Dia 06, Domingo
  • 09h Estudos para iniciados, postulantes e admitidos
Junho

Dia 01
  • Primeira Sextafeira
Dia 02, Sábado

  • 14h Encontro
Dia 03, Domingo
  • 09h Estudos para iniciados, postulantes e admitido
Julho

Dia 06
  • Primeira Sextafeira
Dia 07, Sábado

  • 14h Encontro
Dia 08, Domingo
  • 09h Estudos para iniciados, postulantes e admitidos
Dia 28, Sábado
  • Retiro
Dia 29, Domingo
  • 09h Estudos para iniciados, postulantes e admitidos
Dia 30, Segundafeira
  • Primeiro dia do Tríduo de N. Sª dos Anjos da Porciúncula
Dia 31, Terçafeira
  • Segundo dia do Tríduo de N. Sª dos Anjos da Porciúncula
Agosto

Dia 01, Quartafeira
  • Terceiro dia do Tríduo de N. Sª dos Anjos da Porciúncula
Dia 02, Quintafeira
  • Festa de N. Sª dos Anjos da Portciúncula, Perdão de Assis e 6º aniversário de nossa Fraternidade
Dia 03
  • Primeira Sextafeira
Dia 11, Sábado
  • Festa de Santa Clara de Assis
Setembro

Dia 01, Sábado

  • 14h Capítulo eletivo
Dia 02, Domingo
  • 09h Estudos para iniciados, postulantes e admitidos
Dia 07
  • Primeira Sextafeira
Dia 17, Segundafeira
  • Festa das Chagas de São Francisco de Assis
Dia 25, Terçafeira
  • Início da Novena de São Francisco de Assis
Outubro

Dia 04, Quintafeira
  • Festa de São Francisco de Assis
Dia 05
  • Primeira Sextafeira
Dia 06, Sábado

  • 14h Encontro
Dia 07, Domingo
  • 09h Estudos para iniciados, postulantes e admitidos
Novembro

Dia 02
  • Primeira Sextafeira
Dia 03, Sábado

  • 14h Encontro
Dia 04, Domingo
  • 09h Estudos para iniciados, postulantes e admitidos
Dia 17, Sábado
  • Festa de Santa Isabel da Hungria
Dezembro

Dia 01, Sábado
  • Retiro
Dia 07
  • Primeira Sextafeira
Dia 08 ou 09, Sábado ou Domingo

  • 12h Almoço de encerramento com avaliação do ano
 

domingo, 25 de março de 2012

Programanção da Semana Santa: Par. S. Francisco de Assis (Pòrto Alegre)



Quarta-feira Santa
04 de abril
Celebração do Perdão
19horas

Quinta-feira Santa
05 de abril
Missa do Lava-pés
19horas

Sexta-feira Santa
06 de abril
 Adoração ao Santíssimo
09 horas (início)
Celebração da Paixão
15 horas
Procissão do Senhor Morto
19 horas

Sábado Santo
07 de abril
Missa da Vigília Pascal
19 horas

Domingo de Páscoa
08 de abril
Missas
09h30min e 19 horas

sábado, 10 de março de 2012

A OFS (Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula, da Paróquia São Francisco) comunica que o primeiro encontro do ano para novos vocacionados à Ordem acontecerá no dia 14 de Abril, sábado, às 15h.

Quem pode participar?
Quem sente certo desejo de conhecer e seguir São Francisco mais de perto -
leigos, leigas, casados, solteiros, viúvos etc.

Maiores informações na Secretaria ou com os freis. Tel: 3223-3244.