sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Nosso 6º aniversário

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Paz e bem!

Ontem, 02 ago.,
comemoramos o 6º aniversário
da ereção canônica
de nossa Fraternidade de N. Sª dos Anjos da Porciúncula.

Para comomorar
realizamos um tŕiduo
e missa festiva de nossa padroeira
com a celebração do Perdão de Assis.

Abaixo vejam algumas fotos:

TVFranciscanos: Stª Maria dos Anjos - Perdão de Assis

domingo, 29 de julho de 2012

Retiro 28 ago. 2012

Paz e bem!

Ontem realizamos nosso retiro,
sob orientação de nosso Assistente Espiritual,
Frei Dorvalino Fassini, OFM,
e com o tema:
Santa Clara a mulher que se espelhava em São Francisco
O delicioso almoço, foi um Sopão
(adequadíssimo pra o fri que fazia)
preparado pelo Pároco Frei Orestes Serra, OFM.
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O trabalho Foto Retiro Porciúncula 20120728 de Eugenio Hansen, OFS foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A propósito de Crucifixos e Santo Antônio

A decisão do TJ do RS, ordenando a retirada dos Crucifixos dos prédios da Justiça do estado, suscitou inúmeras, e por vezes acaloradas, discussões e pronunciamentos a favor e contra. 

Entre os últimos encontramos o magistral artigo de Paulo Brossard, segundo o qual a presença do Crucifixo nos tribunais de justiça é para recordar aos juízes o grande Injustiçado e que o Crucifixo está nos tribunais não porque Jesus fosse uma divindade, mas porque foi vítima da maior das falsidades de justiça pervertida. E mais ainda, apoiando-se em Rui Barbosa, escreve o nobre jurista que o Crucifixo está aí para recordar que Pilatos ficou na história como o protótipo do juiz covarde. É deste modo que, há mais de cem anos, Rui Barbosa concluiu seu artigo: “como quer te chames, prevaricação judiciária, não escaparás ao ferrete de Pilatos! O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde”. Essas as considerações transparentes e cristalinas de um magistrado da mais alta competência do Brasil.

Nós franciscanos, porém, poderíamos argumentar de modo bem mais positivo e evangélico acerca desse assunto. Pois, a exemplo do Presépio, da Eucaristia, os crucifixos sempre inspiraram um profundo amor, respeito e veneração pelo humano, principalmente pelo homem desvalido, pobre e fragilizado.

Olhando para um Crucifixo não há como não envolver-nos em pensamentos e sentimentos de profunda estima pela dignidade da pessoa humana nele representada. Assim, todos, crentes ou não, podemos encontrar nele um significado que enriquece a vida do homem. Ou seja, olhar para um Crucifixo ou deixar-se olhar por ele não ofende, não prejudica ninguém. Só faz bem.

A esse respeito vale a pena ouvir nosso Doutor evangélico, Santo Antônio que, para explicar o papel do Crucifixo, serve-se da analogia do espelho. Todos nós temos em nosso quarto ou sala o espelho diante do qual nos miramos para ver se estamos devida, digna e corretamente vestidos e arrumados, enfim, se estamos bem a jeito com nosso estado ou gênero de vida. Pois, então, proclama o denodado Doutor evangélico, Cristo, que é a tua vida, está suspenso diante de ti para que tu te contemples na cruz como num espelho. Aí poderás conhecer quão mortais são tuas feridas, que nenhuma medicina tem poder de sarar, senão aquela que brota do sangue do Filho de Deus. Se olhares bem, poderás dar-te conta de quão grande são tua dignidade e teu valor... Em nenhum outro lugar o homem pode melhor dar-se conta do quanto ele vale do que olhando-se no espelho da Cruz.

Comentando essa passagem diz nosso Papa, Bento XVI: Meditando essas palavras podemos compreender melhor a importância da imagem do Crucifixo para a nossa cultura, para o nosso humanismo nascido da fé cristã. Justamente olhando para o Crucifixo vemos, como diz Santo Antônio, quão grande é a dignidade humana e o valor do homem. Em nenhum outro ponto se pode compreender quanto valha o homem para que Deus mesmo nos faça tão importantes, nos veja tão importantes de sermos por Ele dignos de seu sofrimento. Assim, toda a dignidade humana aparece no espelho do Crucifixo e o olhar para Ele será sempre fonte de reconhecimento da dignidade humana. (Benedetto XVI e San Francesco, Libreria Editrice Vaticana, p. 210).

Finalmente, pode-se e deve-se, ainda, acrescentar que nesse espelho estamos frente a frente, cara a cara, olho no olho, com a mais alta, primeira e última vocação do homem: o máximo de empenho, até a morte e morte de Cruz, para entrar em comungação com nossa origem, representada pela haste vertical e em comungação com os outros homens, nossos irmãos, representada pela haste horizontal.

Por tudo e por todos, portanto, é uma pena que se tenha decretado sua retirada de um tão significativo, nobre e universal símbolo de todos os homens de todos os tempos. Mais uma vez os homens não sabem o que fazem!

Em louvor de Cristo Crucificado. Amém.

Frei Dorvalino Fassini, OFM

Ilustração: Tabernacle and painting of Saint Anthony of Padova in Church Holy Egyd at Tigring, Moosburg, Klagenfurt-Land, Carinthia, Austria [picture] / Johann Jaritz. November 1st, 2010. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moosburg_Tigring_Pfarrkirche_Heiliger_Egyd_Antoniuskapelle_Altar_01112010_35.jpg acesso em 21 jun. 2012.



domingo, 20 de maio de 2012

Uma mente franciscana na Cátedra de Pedro

Frei Dorvalino Fassini, OFM

Quando, encerrado o último conclave, houve o anúncio de que o Cardeal Ratzinger, então Prefeito da Sagrada Congregação da Fé, havia sido eleito Papa, pensei com meus botões: ”Ich! Agora, em vez de um Papa jovial, comunicativo e aberto teremos que nos contentar com um Papa sério, sisudo, durão e fechado e, por conseqüência, pouco franciscano. A impressão parecia confirmar-se porque, ao contrário dos últimos, desde o franciscano terciário João XXIII, o atual papa não fez nenhuma visita ou peregrinação a Assis a fim de buscar inspiração e implorar bênção e proteção do evangélico e apostólico São Francisco.

A primeira impressão, porém, dessa vez, não foi a que ficou. Aos poucos, apesar de seus cãs envelhecidos, foi aparecendo a figura de um papa simples, jovial, reflexivo e de uma alegria franciscana, comedida e interior, expressa quase sempre por uma face transparente e por um sorriso amável, humilde e, até certo ponto, tímido, enfim, um Papa de espírito franciscano.

Espírito que veio surpreender-nos positivamente com a publicação da “Exortação apostólica Verbum Domini sobre a Palavra de Deus na Vida e na missão da Igreja”. De fato, nunca houve nos últimos anos um documento eclesial tão imbuído da mística do Poverello como esse. Como Francisco também nosso Papa na Palavra de Deus vê não apenas palavras ou um mero meio de comunicação, mas, antes e acima de tudo, vê e contempla uma Pessoa, um Deus que, depois de ter inventado mil e uma forma de comungar da vida do homem, não sabendo mais que iniciativa tomar, se abrevia, se apequena (VD 11-12) todo e inteiramente, como criança num presépio e como um condenado à Cruz. E, ao mencionar são Boaventura, com a famosa citação de que cada criatura é Palavra de Deus porque proclama Deus, ele põe nosso Doutor seráfico em pé de igualdade com a grande tradição dos Padres gregos (VD 8). Finalmente, ao falar da interpretação da Sagrada Escritura pelos Santos, isto é, por aquelas pessoas que se deixaram plasmar pela Palavra de Deus, daqueles cuja vida se tornou uma viva lectio divina (VD 48), abre grandes encômios a São Francisco e Santa Clara. De fato, em nosso primeiro contato com esse documento, logo que veio à luz, ficamos surpresos porque se o espírito jesuíta e tomista, um tanto pesado e rigoroso, perpassava a maioria dos documentos papais das últimas décadas e mesmo do Vaticano II, agora estamos diante de um documento impregnado da leveza e graciosidade do espírito franciscano em geral e bonaventurano especificamente.

Toda essa admiração e ênfase pelo espírito originário franciscano do papa atual vem confirmar-se agora com a vinda à luz de Benedetto XVI e San Francesco. Nesse livro, de 300 páginas, o conventual frei Gianfranco Grieco - jornalista renomado e de larga experiência no dia-a-dia tanto de João Paulo II como do Papa atual -, recolheu todos os seus pronunciamentos em referência não apenas a São Francisco, mas também à Espiritualidade franciscana em geral, principalmente de São Boaventura.

Ouçamos o que diz, já de saída: Bento XVI é um Papa inteiramente franciscano. ”Temos todos uma alma um pouco franciscana” disse ele próprio comentando, no decorrer da audiência geral de 12 de outubro de 2005, o salmo 121 e a saudação franciscana “Paz e Bem!” (o.c. p. 1).

Mas, a surpresa mais grata, principalmente para nós franciscanos, aparece mais adiante quando o próprio Bento XVI afirma que a semeadura do espírito franciscano em sua mente começou a dar-se bem cedo quando começava a ensaiar os primeiros passos em sua longa e permanente investigação filosófica e teológica. É o que revela em sua preleção feita aos alunos do Pontifício Seminário Romano Maior: “No começo, nos primeiros dois anos de Filosofia, haviam-me fascinado, desde o primeiro momento, a figura de Santo Agostinho e depois também a corrente agostiniana na Idade Média: São Boaventura, os grandes franciscanos, a figura de São Francisco de Assis”.

E, logo em seguida o autor registra mais esse testemunho: “Hoje (diz o Papa na audiência geral de 03 de 03 de 2010), quero falar-vos de São Boaventura de Bagnorégio. Confesso-lhes que, ao propor-vos esse tema sinto certa nostalgia, porque me vem à mente as pesquisas que, quando jovem estudioso, realizei justamente sobre esse autor, a mim particularmente caro. Não foi pequena a incidência de sua sabedoria sobre minha formação. Com muita alegria, há poucos meses volvi-me em peregrinação à sua terra natal, Bagnorégio, uma cidadezinha italiana, no Lázio, e que guardo com muita veneração na memória (idem p. 14).

E no domingo, 17 de junho, em Assis, na Catedral de São Rufino, volta ao seu relacionamento privilegiado com São Francisco: “Já como estudante, - revela – quando me preparava para uma Cátedra, estudei São Boaventura e, como conseqüência, também São Francisco, de modo que peregrinei a Assis, bem antes de vir para cá fisicamente”. (idem p. 15).

Finalmente, testemunha frei Gianfranco: O grito tormentoso e humilde do “Quaerere Deum”(“A Busca de Deus”) parisiense, aflorado da alma, no decurso do encontro com os representantes da Cultura no “Colégio dos Bernardinos”, sempre acompanha os passos do Papa Bento. Apraz-lhe retornar e repropor seguidamente esta necessidade interior do homem, jamais totalmente apagada: ”O caminho para Deus é Deus mesmo, o Qual se faz próximo de nós em Jesus Cristo , e assim a Teologia grande e misteriosa de São Francisco se torna muito concreta, real...” E, depois de mencionar o Areopagita Dionísio e o grande teólogo franciscano São Boaventura, que soube interpretar e pôr em formas conceituais essa herança tão simples e profunda, isto é, a teologia mística do nosso Seráfico Pai, continua o Papa: “O Poverello, com Dionísio nos diz, enfim, que o Amor vê bem mais que a razão. Onde houver a luz do amor não penetrarão jamais as trevas da razão; o amor vê, o amor é olho. E a experiência nos dá muito mais que a reflexão. O que vem a ser essa experiência Boaventura a vê em São Francisco. Trata-se da experiência de um caminhar muito humilde, muito realista, dia após dia: um caminhar com Cristo, assumindo sua Cruz. Nessa pobreza e nessa humildade, humildade que se vive também na eclesialidade, é a experiência de Deus que é bem mais alta do que aquela que se recolhe através da reflexão: naquela tocamos realmente o coração de Deus”(idem).

E, conclui o frade conventual: Para colher em profundidade a relação teológica, cultural e espiritual entre o teólogo Ratzinger, São Francisco e o Doutor seráfico, basta ler o volume “San Bonaventura. La teologia della storia” de autoria do próprio Papa (idem). Através dessa obra pode-se perceber quanto a teologia e a mística franciscano-bonaventurana plasmaram a alma do atual Papa. 

Encerramos com uma questão: O que representa ou significa para nós franciscanos ter na cátedra de Pedro um Papa que, tanto em seus documentos como em sua conduta de Pastor supremo da Igreja e da humanidade, se inspira segundo a luz do espírito e o fervor do coração de nosso Seráfico Pai?